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Entrevista baterista do Metallica – Lars Ulrich

Posted 30/03/2012 by Redação in Baterias e equipamentos
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Lars Ulrich, baterista do Metallica, cresceu nas quadras de tênis da Dinamarca, seguindo os passos de seu pai, seu tio, e seu avô, num caminho que o  levaria ao circuito internacional profissional. Seu pai também tocava clarineta e flauta, e foi dono de um clube de jazz em Copenhague durante os anos 50.

Entrevista gentilmente cedida pela revista Drummer

Um dos lendários saxofonistas, o já falecido Dexter Gordon, foi padrinho de Lars. Alguns meses, enquanto crianças, os amigos de Ulrich tiveram mais proveito de suas de suas raquetes de tênis do que ele, ao as usarem como guitarra, além de cabos de vassouras e caixas de papelão, quando se trancavam no porão dos Ulrichs e fingiam ser bandas como Deep Purple, Status Quo e Black Sabbarth. Lars sempre ficava atrás dos caixas, usando pincéis de tinta na mão como se fossem baquetas. “Colocávamos o aquecedor no máximo, para suarmos o mais que podíamos”, lembra Lars. “Era para fazer com que nós nos sentíssemos em um estádio, tocando um som animal”.

Aos doze anos, ele implorou à sua avó para que lhe comprasse uma bateria. Ele ganhou uma no seu próximo aniversário, mas ainda via a música como um passatempo, espremida em momentos entre escola e o tênis. Ele veio para os Estado Unidos com sua família em 1980, principalmente para avançar sua carreira iniciante no tênis. Mas quando suas aspirações no tênis começaram a falhar, a nova onda de heavy metal britânico consumiu sua atenção. Certa vez, ele e um amigo seguiram o Motörhead por toda a Califórnia, dirigindo atrás do ônibus da banda. Ulrich logo abandonou totalmente o tênis e, no verão de 1981, foi para a Inglaterra sem outra razão que não fosse a de chegar a conhecer os membros da Motörhead, Saxon, Diamond Head, e de outras bandas que o cativaram tanto.

Minha falta de habilidade para verdadeiramente tocar a bateria foi suplantada por minha decisão, energia e vontade de fazer aquilo

Na Inglaterra, Lars morou como membros da Diamond Head por um mês, e teve a oportunidade de assistir à algumas das sessões da gravação do disco Iron First do Motörhead. A experiência o inspirou tanto que ele o retornou aos Estados Unidos para terminar o colegial, e jurou montar sua própria banda. A primeira pessoa que chamou foi James Hetfield, que já havia conhecido e com o qual já havia jeito algumas Jam sessions no ano anterior. “Minha falta de habilidade para verdadeiramente tocar a bateria foi suplantada por minha decisão, energia e vontade de fazer aquilo”, Diz Ulrich, que conseguiu juntar dinheiro suficiente entregando o Los Angeles Times para adicionar um outro bumbo a um kit Camco de quatro peças que havia comprado alguns meses antes. Depois das aulas, ele e Hetfield se embebedaram, tocavam covers das bandas de metal inglesas, e, eventualmente, escreviam músicas. Tudo isso é digno de nota hoje, diz Ulrich, mesmo se for apenas pelo fato de as coisas que os afastaram do tênis quinze anos atrás serem as mesmas que o mantém na música hoje. “Quando James e eu começamos a fazer nossas jams, nem nos nossos sonhos mais loucos poderíamos vislumbrar o sucesso que iríamos obter. Nós éramos apenas dois garotos punk que queriam se divertir, e continua sendo a mesma coisa agora”, ela diz. “No fim do dia, é a música que ainda nos excita. Ainda estamos nos divertindo, só que agora temos 20.000 de pessoas se divertindo junto conosco toda noite; e nós temos que colocar o aquecedor no máximo para suar”.

MP: Depois de tê-los visto anos atrás em pequenos clubes como antigo bar de São Francisco o Store, foi muito legal poder vê-los outra vez naquele mesmo tipo de ambiente, no Slim’s

LU: Nós também gostamos de fazer esses shows, mas depois de havermos feito quatro ou cinco deles a semana passada, é muito bom estar fazendo grandes espetáculos outra vez. Existe certo desafio, ou certa pressão, quando faz um show assim, e a concentração que se atinge quando se toca para 40.000 pessoas é muito maior. Mas uma coisa que eu sempre tentei fazer é ter o mesmo tipo de conexão com a plateia, de me alimentar da energia, o que é muito mais fácil em shows menores. Eu acho que chequei perto disso em algumas das apresentações que fizemos durante o tour do álbum Black.

MP: Me parece que vocês dedicaram muito esforço para ter esse tipo de interação em sua ultima tour, especialmente nos estádios. Vocês mantiveram a plateia à sua volta, e você tinha dois kits que se moviam para diversos lugares no palco.

LU: Bem, nós estávamos nos vendo crescendo muito, vendo a possibilidade de perder aquela conexão, aquela proximidade na qual o Metallica sempre gostou demais. Então tivemos que reinventar o que era possível de se fazer em um estádio, e faze-lo da maneira mais íntima e divertida para a plateia  que pudéssemos. Além disso, eu sempre quis evitar o estereótipo da baterista que fica no fundo do palco, e ser uma parte mais atuante do que acontece na frente, fazendo a bateria se tornar uma parte naquela energia.

MP: E isto lhe expôs mais, não apenas como uma personalidade, mas também como baterista. Não que você se escondesse antes, mas se tornou impossível para você se misturar com a banda de novo. Todos os olhos se viraram para você e sob todos os ângulos. E aquele solo, onde há o duelo com James (Hetfield, vocal/guitarrista), foi uma ideia bastante original.

LU: Quando se toca em tantos shows como nós fazemos, é preciso alguma coisa que seja excitante toda noite. É tão fácil se acomodar e se tonar letárgico. Mas ter toda aquela variedade no show, e toda aquela atenção dirigida a mim, definitivamente me mantém sempre a postos. Em relação ao solo, tentei afasta-lo o mais que pude do solo da bateria em heavy metal típico.

Vamos encarar os fatos, eu não me considero um grande solista

. Eu não tenho nenhum interesse em me tornar um baterista que seja capaz de tocar sozinho. Mas ao fazer shows de três horas toda noite, se tornou mais ou menos imperativo que tivéssemos o solo no programa, porque James precisa ter algum tempo para descansar a garganta.

Portanto, Kirk (Hammet, guitarrista) e Jason (Newstead, baixista) criaram seus solos, e eu tive que, relutantemente, compor o meu. Não estava com medo de fazê-lo, mas cério que a forma dos solos de Ian Paice e de John Bonham, nos anos 70, não seriam bem  aceitas agora, nos anos 90. Então, me vi com a escolha de tentar enganar todo mundo, fazendo-o- acreditar que era o solista fantástico, ou ter alguma coisa a mais lá em cima. Achei que seria mais interessante trazer humor para o solo de bateria, o que também mostraria à audiência um outro lado nosso.

MP: Acho que a sua autocrítica sobre suas habilidades como solista irá surpreender alguns leitores.

LU: Sou muito agradecido a todas as pessoas que são fãs do meu estilo de tocar. Mas qualquer pessoa que escute as músicas do Metallica com cuidado, e que seja um verdadeiro fã, provavelmente gosta de mim principalmente pelo o que fiz dentro de uma canção, e não porque eu seja um grande mago da técnica, ou um excelente solista. Admito que houve época em que toquei muito mais violentamente do que faço agora, entretanto solos e viradas acachapantes não é o que mais me interessa no instrumento. O que tento fazer é algo que se encaixe dentro do grupo, muito mais agora do que jamais fiz. Por um certo tempo, por volta dos discos Master os Puppets e …And Justice For All, eu estava tentando colocar o papel da bateria dentro das canções o mais interessante que fosse possível, em termos de coloração e de textura. Muitos daquelas músicas foram escritos baseadas em padrões de bateria que eu criei, especialmente no disco Justice, porque sentia que devia ser algo mais do que o cara que marcava o tempo. E acredito que se deve voltar ao início do Metallica para entender de onde se origina o que faço agora, e o porquê disso. Olhando a história de meu estilo e do meu relacionamento com o kit, se vê que estávamos fazendo discos e tours antes que aprendêssemos a dar laço nos sapatos. E, depois de Ride the Lightning, quando nos mudamos outra vez de Los Angeles para São Francisco, acho que nos sentimos um tanto inadequados enquanto músicos. Passei muito por cima das técnicas básicas quando comecei a tocar, e me sentia um pouco limitado na área de viradas. Assim, ao mesmo tempo em que Kirk esteve tendo aulas com Joe Satriani, comecei a estudar com o baterista do Joe. E por alguns anos, fiz esse tipo de coisa, tentando completar minha educação musical e expandindo meus horizontes.

Os discos que fizemos por volta dessa época foram os Puppets e o Justice, e, quando escuto a este disco agora, sinto que estava tentando ser o mais inventivo e o mais criativo que pudesse, em uma grande parte do viradas que toquei. Existe uma enorme agressividade nesses discos e estávamos muito felizes com eles na época. 

não nos demos conta da magnitude do que estávamos tentando fazer até começarmos o tour para o Justice.

Estávamos fazendo centenas de shows, e tocando aquelas músicas de dez minutos que eram bastante progressivas e que tinham muitas partes difíceis de executar. Voltávamos ao camarim depois e começávamos a falar sobre isso, e chegamos à conclusão de que, na realidade, não estávamos nos divertindo ao tocá-las. Canções como …And Justice For All e Frayed Ends Of Insanity se tornaram nada mais que exercícios onde tentávamos ir de ponto ao outro sem cometer erros.

Quando terminamos o tour, e tivemos tempo para examinar o que estávamos fazendo, concluímos que tocar aquelas coisas esquisitas e desafiadoras não tinha nada a ver com o tocar uma música vinda do coração e da alma. O lado progressivo do Metallica, e meu estilo de tocar, e o papel da bateria, senti que havíamos chegado onde podíamos chegar desta forma, e que era hora de uma mudança radical. Assim, quando reunimos para escrever a música para o disco Black, eu tinha toda a intenção, pelo menos em relação a bateria, de fazer o que fosse possível para que as canções tivessem alma.

MP: Você mencionou o aspecto da diversão, o que nunca me passou pela cabeça quando pensava sobre o Metallica. Mas  posso ver com facilidade que seria muito mais divertido tocar o material mais novo.

LU: Exatamente. No verão de 1990, quando estávamos escrevendo o disco Black, eu estava viajando no AC/DC. Sempre fui um grande fã deles, desde os anos 70, mas nunca tinha tirado inspiração do som da banda. Mas, naquela época, eu estava escutando todos os velhos discos do AC/DC praticamente todos os dias, e redescobri Phill Rudd. Ele se tornou minha fonte principal para as mudanças que fiz em meu estilo.

Todo mundo pensa que o que Phill Rudd fez é muito fácil, mas levou um certo tempo para que eu realmente entendesse o que o tornou tão especial naquela banda. Ele era o mestre em ficar um pouco atrás da batida, não tanto que causasse um atraso, mas lá bem no limite, onde se faz com que a batida fica mais encorpada. As pessoas sempre comentam sobre o swing da música do AC/DC, e sobre o que Angus Young faz com a guitarra, mas devo dizer e disso isso sem nenhum desrespeito para com os bateristas que eles tiveram depois que Phill saiu, que a música não teve mais o mesmo swing depois que Phill não estava mais com a banda. Quis tentar levar meu estilo até aquele nível. Como disse antes, sentia que já havia me provado sob outro ponto de vista musical. Mas também, ao escutar novamente ao Justice, senti que era um disco um tanto quanto frio. Portanto, eu queria me divertir mais com bateria, tonar o instrumento a espinha dorsal da música, dar mais vida ás guitarras, e colocar mais swing, mais levada, e mais atitude nas batidas. Enter Sandman foi um ponto de partida em relação a isso, porque foi a primeira música que escrevemos para o disco Black, e foi a primeira vez que eu havia executado aquele estilo de tocar. E me senti muito bem ao fazê-lo.

Lars Ulrich- Metallica Setup

Bateria: Tama Starclassic Maple

SHELL COLOR: LU Magnetic Orange (LUM)

 

H/W COLOR: Chrome

Medidas

a 16″x22″ Bass Drum (SMB2216)
b 16″x22″ Bass Drum (SMB2216)
c 6.5″x14″ Lars Ulrich Signature Snare Drum (LU1465)
d 8″x10″ Tom Tom (SMT1008)
e 10″x12″ Tom Tom (SMT1210)
f 14″x16″ Floor Tom (SMF1614)
g 16″x16″ Floor Tom (SMF1616)

Ferragens Tama

1 Iron Cobra Power Glide Single Pedal (HP900P)
2 Iron Cobra Lever Glide Hi-Hat Stand (HH905)
3 1st Chair Ergo-Rider Drum Throne (HT730)

Pratos Zildjian

  • 14″ Dyno Beat Z hi-hats
  • 17″ Projection brilliant crash
  • 18″ Projection brilliant crash
  • 19″ Projection brilliant crash
  • 18″ China Trash (used as a ride)
  • 18″ China Trash
  • 20″ China Trash

Peles Remo

  • White Coated Emperor Tom Head
  • Power Stroke 3 Bass Drum
  • Coated Controlled Sound Reverse Dot Snare Head

MP: Foi difícil para você assumir este papel? Quero dizer que, de certa forma, me parece que o baterista nos primeiros discos do Metallica e o baterista dos dois últimos discos são duas pessoas diferentes. 

LU: Não foi nem um pouco difícil. Na verdade foi um tremendo alívio. Acho que foi mais difícil para os outros caras se acostumarem a aquele estilo de bateria vindo de mim. Mas eles não sabiam que passei a maior parte dos anos 80 me sentindo bastante inadequado, sempre olhando para os e vendo o Charlie Benantes do mundo, escutando o que eles estavam fazendo. Sentia que tinha acompanhá-los; eu tinha que tocar mais rápido, e tocar mais notas, e fazer aqueles viradas elétricos, tinha de me esforçar, naquela coisa de competição. Depois de alguns anos daquilo, e sentindo que já não podia mais avançar naquela direção, tive que me tornar mais confiante, e de não me preocupar em ser a melhor baterista de heavy metal do mundo, devia ser apenas eu mesmo. Queria me sentir confortável com a música mais uma vez, e isso significava tocar para a música.

No verão de 1990, quando estávamos escrevendo o disco Black, eu estava viajando no AC/DC 

MP: Qual foi o impacto de Bob Rock (produtor do disco Black e Load) teve na nova tomada de rumo? Eu sei que ele teve um profundo influência em seu som.

LU: Quando conheci Bob, a banda já estava tocando aquele tipo de som, com mais levada, por mais ou menos dois meses. Mas não nos sentíamos seguros ainda, portanto, mais que outra coisa qualquer, ele me fez sentir mais confiante em levar nossa música naquela direção. A maior razão de termos trazido Bob foi porque eu estava desesperado para fazer algo sobre o som da bateria, na verdade, não apenas o da bateria, o de tudo. Queríamos ter um som mais encorpado. Ouvimos o resultado que ele obteve com o disco do Mötley Crüe, Dr. Feelgood, especialmente da música título, onde o som da bateria é tão marcante. Mas de início, apenas pedimos a ele que viesse e fizesse a mixagem do disco, porque nossa atitude era a de que, “Ninguém vem pra cá para nos produzir; ninguém vem nos dizer o que fazer”. Mas, quando as canções começaram a tomar forma, nós compreendemos que precisávamos da opinião de outra pessoa, e eu estava confiante que tínhamos nosso melhor disco diante de nós. E não importa o que se pense das bandas com as quais ele trabalhou, Crüe, Bom Jovi, The Cult, foi o Bob que produziu seus melhores discos. Assim, achamos que o melhor disco que podíamos fazer talvez fosse o que fizéssemos com Bob Rock.

Também gastamos muito tempo com os sons. Não vamos fazer segredo, e meus amigos na Tama sabem disso, mas toquei tambores da Gretsch no disco Black, e usei os mesmos bumbos da Gretsch no Load. Ross, o doutor das baterias, possui um par de kits da Gretsch que são simplesmente impressionantes, mas, mesmo assim, gasta mais ou menos dez dias apenas tentando conseguir os sons de bateria para o disco Black. Tenho um excelente relacionamento com a Tama, que já dura treze anos, e não creio que seja importante que eu tenha tocado um surdo ou um bumbo da Gretsch no estúdio. Eu posso provavelmente garantir que, até o dia em que eu morrer, nunca vou tocar outros tambores que não sejam os da Tama nas apresentações ao vivo. Mas, num ambiente de estúdio, em que cada nuança é importante, se faz o que se tem que fazer.

Tenho certeza de que Joe Hibbs, da Tama, não está muito feliz com este fato, mas ele certamente o toleram, porque nosso relacionamento é muito profundo e sólido para que algo como isso cause um problema. Mas só não apenas mexemos no kit. Basicamente, nós reconstruímos a sala inteira, e experimentamos com a movimentação das coisas por todos os cantos, pintamos as paredes, e testamos literalmente todos os microfones que já foram inventados, tudo num esforço para conseguir um som de bateria animal. Completamos várias coisas com simples diferentes para engrossar o som. E uma das coisas mais impressionantes que fizemos foi não apenas colocar microfones em cada um dos pratos e dos tambores, mas também gravar cada um individualmente.

Digamos que tivéssemos três microfones na caixa. Na maioria das vezes, se grava uma mixagem dos três canais diferentes, nos dando a possibilidade de mexer no som até mesmo no estágio de mixagem. Foi a mesma coisa com os tambores, e acho que isso nos deu o luxo de podermos ir aonde quiséssemos, a lugares diferentes, dentro de cada canção. Tínhamos completo controle do som por todo o processo, e isso foi o mais importante.

O disco Black foi muito difícil de fazer, porque ocorreram muitos conflitos e muitas colisões.

Lutamos contra a ideia de ter aquela quinta voz sempre nos acompanhando a cada decisão. Encaramos a gravação de Load sob os mesmo ângulos, mas foi muito mais fácil, pois já havíamos trabalhado com Bob antes, e nosso relacionamento havia se tornado muito mais confortável. Nós também já havíamos tocado por três anos, e feito quatrocentos shows, tocando naquele estilo orientado mais para a levada, portanto estávamos muito mais confiantes sobre como fazer aquilo, do lado musical.

MP: Nos seus shows atuais, você se senti mais confortável tocando canções como Sad But true do que quando toca algo mais rápido, como, por exemplo, Whiplash ou Blackened?

LU: Não me sinto mais ou menos confortável tocando um estilo ou outro. Ainda adoro as velhas canções como Battery e Damaged Inc., e adoro tocá-las. Quando escuto aos velhos discos e ouço uma canção como Blackened, fico impressionado com o fato de termos feito algo tão bom. Quando tocamos algumas dessas canções agora, o fazemos com um tempo um pouco reduzido, porque nos grandes estádios elas acabam soando como um borrão se a tocarmos muito rápido. Entretanto existe apenas uma canção que jamais tocamos ao vivo, que é Dyers Eve (do disco …And Justice For All). Para mim esta canção é o exemplo definitivo de como escrever uma música para torná-la a mais complexa e o mais rápida que seja humanamente possível. Não são as partes de dois bumbos que mais me intimidam, mas sim as paradas e os começos. A canção bate de frente como uma parede de tijolos mais ou menos umas setecentas vezes.

Naquela época nós gravávamos a bateria de uma maneira bem estúpida. Não gravávamos uma música inteira. Começávamos a canção, e quando errávamos ou quando achávamos que o nível de energia não estava 100%, parávamos, voltávamos a fita, e recomeçávamos de onde havíamos parado. Era absolutamente insano. Quando contei a Bob como costumávamos fazer, ele se acabou de tanto rir. A coisa é que agora tenho uma cabeça diferente com relação à criação de música. E não é apenas eu, é toda a banda. Acho que isso é ser um artista, é estar aberto as mudanças, experimentar e tentar novas direções. Analisando o que fizemos em nossos seis discos, uma coisa de que mais me orgulho é isso, nós não nos mantivemos em uma única situação, ou com uma única maneia de pensar. Esta é uma armadilha para muitas bandas, e foi o que aconteceu com várias das bandas de metal nos anos 80. Elas se convenceram que deveriam ser um certo tipo de banda. Mas as pessoas crescem e mudam. Todos nós envelhecemos, e se não formos flexíveis, nossas bandas podem sufocar e morrer.

MP: Você já sabia de antemão qual direção iria tomar quando começou a gravar Load?

LU: Não tinha qualquer ideia de que formato o disco iria tomar até havermos escritos meia dúzia de canções. Nós nunca nos reunimos em volta de uma mesa para discutir que tipo de música queremos escrever, ou para onde iremos com o próximo disco. Isto simplesmente não existe em nosso mundo. A única coisa que podemos discutir é, depois de temos tido muito tempo de folga, se já é hora de voltar ao trabalho.

No outono de 1994, depois de eu haver visto todos os jogos de jóquei, depois de haver mergulhado em todos os bancos de coral do Caribe, depois de James haver caçado todos os animais do Hemisfério Ocidental, já não existiam mais desculpas para não voltarmos e começarmos a trabalhar no novo disco. Assim, nos reunimos na minha casa, e escutamos às ideias que havíamos separadamente gravado em fita. Depois disso, James e eu nos sentamos, da mesma forma que fizemos nos outros cinco discos, escolhemos a ideia que mais nos agradaram, e as transformamos em canções. Olhando para trás, vejo que temos mais das ideias iniciais de Kirk neste disco do que em todos os outros que o precederam. A maioria das ideias dele eram baseadas em riff de blues e em progressões, e conforme formos prosseguindo, foi se tornando claro pra mim que nosso coração e alma estavam menos riffs tipo metal e mais tipo de riss de guitarra feitos por Jimmy Page, Ritchie Blackmore nos anos 70.

MP: Você treinou sozinho entre discos, especialmente entre Justice e o disco Black, quando mudou de estio?

LU: Tenho um kit montado no estúdio da minha casa, e brincava nele vez ou outra. Mas não sou um desses que tem uma necessidade física de tocar a bateria o tempo todo. Conforme fico mais velho, percebo que minha maior motivação é tocar dentro de um grupo, com James Hetfield, escrevendo músicas. Em alguns casos, o treino se torna uma coisa secundária, e só se torna presente após eu haver criado a estrutura para uma canção.

No passado, escrevíamos canções inteiramente baseadas em partes de bateria que eu havia criado. De certa forma, elas eram como riffs de guitarra, e acho que esta é uma das razões de que aquelas músicas serem tão longas. Em virtude de a bateria ter um papel tão proeminente, passávamos muito mais tempo tentando mostrar nossas ideias musicais. Agora estamos tentando mostrar essas ideias em três ou quatro mi-nutos, e saímos do rock pesado e fomos buscar inspiração em outros estilos de músicas.

MP: Acho que você usou seus dois bumbos apenas uma vez no disco.

LU: Você está provavelmente se referindo ao coro em Hero For A Day, e aquilo não é, na verdade, dois bumbos. São apenas notas rápidas em um bumbo simples. Não toquei um bumbo desse tipo em nenhuma das faixas Load. E você sabe por que? Foi, simplesmente, porque cansei delas.

Eu sei que isso soa um tanto rude, mas senti que já havia feito tudo que podia fazer ao tocar semicolcheias em dois bumbos. Se houver algo no futuro que exija que os toques, definitivamente o farei. Mas não achei que houvesse qualquer faixo no novo disco que realmente precisasse disso, e eu estaria simplesmente forçando alguma coisa, apenas para ter partes de dois bumbos no disco.

No passado, as pessoas sempre esperavam de mim que eu tocasse este tipo de coisa, e eu as atendia, não para satisfazer aos fãs, mas porque era o que eu queria fazer, e achava que pertencia à música. Além disso, podemos voltar àquela coisa de competição que mencionei antes. Temos os Slayers, os Anthraxes, e os Magadeths do mundo por aí, e nós tínhamos que ser os mais pesados que podíamos. A moçada sempre chega para mim e pergunta como fazer para tocar tão rápido como eu, e eu digo a eles que tinha a mesma dúvidas quando comecei a tocar a dez ano atrás, “Como faço para tocar mais rápido do que posso?” Mas, depois de um certo tempo, isso se torna mais um exercício atlético, do que um exercício musical. Cheguei a um ponto em que comecei a me chatear com o que muitas bandas de speed metal estavam fazendo, “Quem é capaz de tocar os solos de guitarra mais rápidos?” “Quem é o baterista mais rápido?” E, para falar a verdade, qualquer pessoa que tenha tempo suficiente durante o dia pode se sentar e treinar alguma coisa ate que não seja possível, fisicamente, tocar mais rápido. Mas o que isso tem a ver com o sentimento? O que tem a ver com emoção musical?

Uma das razões pela qual o metal se tornou tão popular foi, pelo menos sob o ponto de vista do músico, que não havia outro estilo de música onde a habilidade crua fosse tão importante. Todos no metal sempre estavam falando sobre quem era mais rápido disto ou daquilo. E, sem contar, algumas formas de jazz de improviso, nenhum outro estilo de música colocou tanta ênfase na habilidade musical. Ai chega o Curt Cobain, ele não sabia tocar sua guitarra, não dava a mínima para sua aparência. Mas escrevia músicas que vinham do coração, que tocavam as pessoas. De repente, o público não importava mais em saber quão rápido se podia tocar; eles apenas queriam escutar boas canções, que fossem também honestas.

Por uma razão, uma luz se acendeu nas cabeças de milhares de guitarristas que estavam tentando ser o próximo Eddie Van Halen ou Yngwie Malmsteen, eles não tinham que ir naquela direção; eles podiam ser eles mesmos.

E, como um todo, o que aconteceu com o Metallica foi que nos tornamos mais interessados em trazer alma e emoção à música, ao invés de fazer música por esporte.

MP: É verdade, entretanto o disco Black saiu antes que o grunge se tornasse popular, portanto algumas  pessoas podem dizer que vocês estavam na crista daquela onde. Mas por outro lado, ouvi estórias de que, nos cinco anos entre o disco Black e Load, o movimento grunge afetou ou intimidou o Metallica em termos de qual direção vocês deveriam tocar musicalmente, quase como em resposta àquela tendência. 

LU: Não creio que isso seja verdade. Tenho muita dificuldade, assim de pronto, em mencionar qualquer coisa que tenhamos feito tenha sido influenciada diretamente pelo sangue. Sabe, é hilário que alguns críticos estejam dizendo que Load seja um disco alternativo. Talvez seja porque estamos com os cabelos mais curtos. O cabelo, a maquiagem na capa da Rolling Stone, acha que fizemos essas coisas, acima de tudo apenas para atrapalhar a cabeça das pessoas.

Muito pouco dessas cosias são feitas de maneira deliberada, de nossa parte. Mas não gosto de ser classificado, e gosto do fato de as pessoas nunca saberem ao certo o que está acontecendo com o Metallica já agíamos dessa maneira desde o Ride The Lightning, que era muito diferente de Kill ’Em All. Tem um lado meu que aprecia frustrar as expectativas das pessoas em relação ao que o Metallica deve ser.

E houve um tempo mais ou menos na época em que o disco foi lançado, e me diverti muito por estarmos assustando tanto as pessoas devido a nossa aparência. Mas nossa aparência não tem nada a ver com a nossa música. Quis cortar meu cabelo porque já estava cansado de ter cabelo cumprido, nada mais que isso. Acontece que os outros caras também se sentiam assim. Mas minha aparência, a maneira que me visto, é só jeito que sou. E, no fim do dia, não estou usando maquiagem, é apenas eu, como sempre fui.

MP: O Jason afetou seu jeito de tocar durante o mais ou menos nove anos e que ele tenha estado com a banda?

LU: Começou a afetar. Mas você tem que entender que durante dez ou doze anos a única coisa que eu tinha em meu monitor era James Hetfield. A única coisa que vinha nos meus fones de ouvido quando estávamos gravando era James tocando. A bateria e a guitarra rítmica sempre foram a espinha dorsal dessa banda, diferente da maioria das bandas, onde a bateria e o baixo são supostamente a parte mais importante. Conosco, o baixo foi quase como uma adição posterior; colocávamos onde é que houvesse um espaço vago na mixagem. Tome, por exemplo, o disco Justice: não havia muito espaço sobrando. O Load foi o primeiro disco em que gravamos primeiro a bateria e depois baixo, portanto tínhamos a função rítmica em fita antes de gravarmos as guitarras. Foi também a primeira vez que senti que eu e Jason estávamos encaixando de maneira que um baterista e guitarrista deveriam, da maneira tradicional dos músicos de ritmo. Há uma melhor vibração e conexão entre nós agora. Mantemos um maior contato visual, e estamos ambos mais cientes do que o outro está fazendo. Quando conhecemos Jason e o trouxeram para a banda, seus ouvidos sempre prestavam a atenção em James, e seus olhos se fixavam na mão esquerda de James.

O que tentamos fazer foi tentar conseguir  que ele esquecesse da mão esquerda de James, e que se focalizasse na minha mão direita.

Foi muito difícil para ele fazer isso, especialmente para alguém que tinha experiência em speed metal, onde as duas guitarras e o baixo são quase uma coisa só, já que no rock pesado tradicional, n que me formei, as baterias e o baixo são mais ligados. Acredito, que durante os últimos anos, o Jason tenha se voltado mais para o meu lado e isso tem feito uma enorme diferença na maneira em que as faixas rítmicas se comportam.

MP: Você mencionou sua mão direita, e acho que com a maneira que você a utiliza tenha adquirido uma maior importância para a música do que tinha durante os anos 80, não apenas as notas que você está tocando, mas a maneiras em que as está executando. Um chimbal levemente aberto, ou o ato de manter a ponta da baqueta no prato ride agora faz uma grande diferença em termos das dinâmicas das suas canções,  pode fazer com que a música respire e lhe dá vida. Muitos dos caras de Los Angeles durante os anos 80 costumavam tocar o chimbal da mesma forma e com o mesmo volume durante toda a canção. Mas ao escutar Phill Rudd, percebe-se que ele movimenta bastante as canções apenas pela maneira que ele toca o chimbal.

LU: Eu ainda ataco com tudo um china ou um crash ao tocar cholcheias diretas. Mas aprendi que, se bater dessa forma num chimbal, estarei perdendo muito do potencial de fazer a música balançar. A única  música dos últimos anos em que eu intencionalmente toquei dessa forma pesada em um chimbal foi em Until It Sleeps.

MP: Já que você mencionou essa música, você faz umas viradas soltas por toda ela, quase como se estivesse arrastando suas baquetas pela pele.

LU: Tentei fazer a pegada o mais preguiçosa que fosse possível. Mas o que o que é especial sobre essa música é que foi a única que escrevemos que saiu de um jam session no estúdio de gravação. Estávamos gravando uma outra música qualquer, q fita pronta para funcionar, microfones ligados, Bob e Randy na mesa de controle e estávamos apenas nos aquecendo e eu comecei a tocar um padrão de rolls de caixa. James começou a tocar tendo aquilo como base, e Bob nos perguntou, através dos fones de ouvido, o que estávamos fazendo. O resultado foi que esta foi a ultima música que escrevemos e que gravamos para o último disco, e se originou do fato de estarmos fazendo uma das últimas faixas de bateria.

Isso é interessante, agora que estou pensando nisso: se olharmos os quatro últimos discos, veremos que a faixa de abertura de cada um deles foi sempre a primeira canção que fizemos para o disco. Mas isso não aconteceu dessa vez. Acho que é apenas um outro exemplo de como as coisas estão mudando para nós, e que estamos indo contra a fórmula.

Tome, por exemplo, uma canção como Mama Said, que é obviamente algo bastante diferente para nós. Gravamos a música como sempre fazemos, baquetas normais, dinâmicas normais. Mas quando Bob e eu sentávamos para editar as melhores partes de baterias antes de gravarmos as partes de guitarra, olhamos um para o outro e concordamos que o que tínhamos não era certo para aquela canção. A bateria estava muito alta, muito bombástica. Isso aconteceu perto do tempo em que Wonderwall, a canção do Oasis, estava se tornando um grande hit, e o baterista no videoclipe toca com um tipo de baqueta, nem sei qual o nome delas, que não são bem vassourinhas, nem são baquetas, são feitas de madeira ou de bambu, e possuem dez pedaços finos amarrados juntos no topo. O que é legal nelas é que é possível tocá-las como baquetas, e fazer rolls mais compridos, sem que elas dominem a canção. Portanto, Bob sugeriu que montássemos uma bateria com um bumbo de 26”, uma caixa, um tom-tom, um surdo e dois pratos, e toquei uma três vezes usando essas baquetas, e elas fizeram uma diferença impressionante.

 

MP: Sei que agora você está usando as baquetas da Easton Ahead. Quando foi que começou a usá-las, e o que acha delas?

LU: No verão de 1994, quando fizemos um tour rápido nos Estados Unidos, estávamos tocando ao ar livre na maior parte do tempo em cidades como Buffalo, onde, durante o mês de maio, fica muito frio lá pelas nove da noite. Na primeira canção, quando fazia frio, eu quebrava quatro ou cinco baquetas, e já não podia mais tolerar isso. Desta maneira me lembrei do tour do Guns ’N Roses em 1992, quando Matt Sorum me fez experimentar as baquetas Easton numa porrada de vezes. Depois de dois minutos tocando, tinha que deixá-las de lado, porque não conseguia tocar direito ou ter uma boa pegada com elas, estão voltava para as minhas boas e velhas Calato Regal Tips. Mas depois do tour de 1994, tive tempo para tocar com elas em meu estúdio, e me acostumei com a pegada, e agora não toco mais com quaisquer outras. Estive com a Calato por dez anos, e elas eram ótimas, mas tive que mudar por pura necessidade. Ainda quebro uma baqueta vez ou outra, talvez tenha quebrado umas dez no último ano e meio, mas não se encontra nada mais durável que estas.

Eu até cheguei a gravar com elas, mas uma das coisas que são notadamente diferentes com elas é a maneira que soam quando se toca um prato. Posso afirmar que com certeza não é a mesma coisa que tocar com uma baqueta de madeira.

Acho que houve uma ou duas canções em que usei uma baqueta de madeira na mão direita e uma Easton na mão esquerda, apenas para seguir um som mais natural.

MP: Aonde você pretende chegar com seu estilo de tocar nos próximos anos?

LU: Quando estamos fazendo um jam, me parece que a coisa que mas me interessa fazer agora são aqueles padrões de bateria retardados, de trás pra frente, um pouco do jeito como Mike Bordin do Faith No More faria. Gosto da ideia de me aprofundar nestes padrões tribais, e ficar executando-os por cinco minutos, tocando a mesma coisa repetidamente. O mais diferente e esquisito que posso executar uma coisa, o mais divertido se torna, e posso-me ver trazendo esses tipos de ritmos e padrões para dentro de que tivermos no futuro. No novo disco em Bleeding me ou  The Outlaw thorn, onde os coros se tornam mais frenéticos lá pelo fim, coloquei coisas que nunca havia feito antes. Posso explorar um pouco mais desse tipo de coisa.

Mas uma coisa que aprendi foi não especular sobre o futuro dessa banda. No passado, eu disse coisas como, “Nós nunca faremos um videoclipe”. Tudo o que sei é que me sinto muito confortável agora do que jamais estive em relação à música. A melhor coisa dessa banda é que nós encontramos, em uma posição em que somos capazes de levar a música para onde quisermos.

MP: O que me diz de se afastar da bateria? Sei que você sempre se envolveu muito com o lado de negócios do Metallica, e me pergunto se isso já o afastou do lado criativo da banda.

LU: Pode acontecer, é claro. Sempre me aprofundei do lado dos negócios e durante os dois últimos anos, tentei fingir que esse lado não existe. Mas. A quem estou enganando? Já vendemos mais de 40 milhões de discos, e empregamos centenas de pessoas. E sendo do jeito que sou, não há maneira de eu não me envolver com este lado das coisas; gosto muito de mexer com os negócios da banda. Mas o que posso fazer é agir de forma que os negócios e as músicas nunca interfiram um com o outro, e acho que consigo atingir esse objetivo muito bem.

Uma coisa que não fazemos muito bem é acatar outras opiniões. Não gostamos que nos digam o que fazer, portanto sempre tomando as rédeas de tudo, e estamos mais envolvidos com o lado de negócios dessa banda, talvez mais do que outras bandas em nossa posição estariam. E acredito que o resultado disso é que nossos fãs sentem que existe uma conexão direta entre nós e eles. Outra coisa que é importante é que as pessoas que trabalham para nós tem estado conosco muitos anos. Nossa gravadora, nossos gerentes, nossos gerentes de tour, a maioria de nossa turma, todos eles estão com o Metallica por dez ou doze anos.

Pode parecer babaca, mas nós somos como uma família. As coisas cresceram, os números são maiores, existem mais pessoas à nossa volta, e temos mais dinheiro em jogo. Mas nós não somos uma história de sucesso da noite para o dia. Não tivemos nossas vidas viradas de cabeça para baixo como tiveram Curt Cobain ou Eddie Vedder ou Axl Rose. Uma das razões de estarmos firmes até hoje é que tudo tem sido uma progressão constante, e sempre tivemos nossos pés bem plantados no chão. Posso garantir a você que o coração e a alma do Metallica não mudaram nem um pouco em quinze anos.



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Apaixonados por música e maníacos por equipamentos, nossa tarefa é reunir o que há de mais novo e curioso no mundo da música.

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